Groovy Pointer Cala a boca, Lia!: Tempo

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Tempo

Dia onze de agosto de dois mil, meu aniversario de três anos. Levei uma surra por ter usado tinta de pintar papel nas paredes brancas porém, um tanto amareladas no quarto da minha mãe, mais tarde ganhei uma motoca rosa, era com uma espécie de plástico duro. A minha festa foi bem animada, com a minha família e amigos. Escutava o ponteiro do relógio marcar cada segundo a mais ou na verdade a menos de vida e não podia fazer absolutamente nada para pará-lo. Em seguida pisco e respiro fundo e ao abrir os olhos: Dois mil e quatro, ano da copa do mundo. Estava desenhando no quintal da casa nova, não tão nova assim.  Pergunto pra minha mãe em que ano estamos e ela responde “em dois mil e quatro, o tempo passou voando.” Eu nunca entendi direito essa expressão sobre o tempo passar voando, eu achava o numero “ dois mil e quatro” pequeno, acho que por terminar com quatro. Pessoas barulhentas, verde e amarelo, apitos, mais uma decepção para os brasileiros e nada que me agrade muito. Escutava o ponteiro do relógio marcar cada segundo a mais ou na verdade a menos de vida e não podia fazer absolutamente nada para pará-lo. Em seguida pisco e respiro fundo e ao abrir os olhos: Julho de dois mil e seis, comecei aulas no meio do ano na escola nova, na cidade nova, com pessoas novas. Nenhum conhecido além do meu tio postiço, velho amigo da família. Essa nova escola tinha tuneis e passagens secretas, era bem grande, acho que nem eu que passei tanto tempo lá conheci todos os cômodos. Eu era uma criança bonita, mas não a mais inteligente e nem muito legal. Escutava o ponteiro do relógio marcar cada segundo a mais ou na verdade a menos de vida e não podia fazer absolutamente nada para pará-lo. Em seguida pisco e respiro fundo e ao abrir os olhos: Janeiro de dois mil e oito, outra escola nova, eu já não era mais tão bonita, agora talvez um pouco mais inteligente, porem, nada em excesso, continuava não sendo muito legal, nunca fui e nunca vou ser. Escutava o ponteiro do relógio marcar cada segundo a mais ou na verdade a menos de vida e não podia fazer absolutamente nada para pará-lo. Em seguida pisco e respiro fundo e ao abrir os olhos: Dia dezessete de dezembro de dois mil e onze, dia da minha formatura de ensino fundamental  II. Eu seria a oradora, mas as minhas palavras não saiam, nunca tive problema em falar em publico ( as aulas de teatro em dois mil e dez tinham me ajudado) mas, eu estava aborrecida e tinha acabado de perceber que já havia passado muito tempo e eu tinha deixado passar os dias com a turma mais legal de todas sem ao menos dar valor a certos momentos.  Escutava o ponteiro do relógio marcar cada segundo a mais ou na verdade a menos de vida e não podia fazer absolutamente nada para pará-lo. Em seguida pisco e respiro fundo e ao abrir os olhos: Dia três de fevereiro de dois mil e doze, o ano que todos dizem ser o juízo final. Olho no calendário para ter certeza da data de hoje. Agora eu começo a entender a expressão “o tempo passa voando”. Minha motoca rosa esta quebrada já faz algum tempo e jogada no quintal de terra da minha avó. O Brasil não ganhou nenhuma copa depois de tanto tempo. Estou indo pra outra escola. Ainda não sou a mais bonita, nem a mais inteligente e muito menos a mais legal. Ainda vivo na mesma cidade, mas em outra casa que agora sim posso chamar de nova. Acho que sou feliz, vivo tomando meu chocolate quente e digitando textos para o meu blog, não pretendo ser escritora porque nunca fui a mais inteligente, mas não descarto a hipótese. Meus amigos e conhecido dizem gostar dos meus textos, mas mesmo que não gostassem, eu não pararia de escrever, é uma das minhas paixões.

Um comentário: